Beira-Rio (o coração do gigante)
Coluna de 
Elfuni Zaniol
 
O Coração do Gigante

José Pinheiro Borda, um português que chegou ao Brasil em 1929, representou um capítulo a parte da história do Internacional. E mesmo no futebol gaúcho. Colorado apaixonado, daqueles que não perdiam nem treinamentos, não conseguia esconder o que sentia: 

- Jamais entrarei no estádio deles. 

Os próprios gremistas sabiam disso. E aí surge o curioso. Pinheiro Borda era colorado e antigremista. Mesmo assim, todos o queriam. Admiravam a sua sinceridade. Ele era um inimigo leal. Várias vezes foi presidente do Conselho Deliberativo. Poderia ter sido presidente do Clube. Nunca aceitou. Geralmente, os homens procuram ficar em cargos importantes, ainda que sem receber dinheiro. É uma vaidade natural. José Pinheiro Borda tinha a sua vaidade.  

- Eu me sinto orgulhoso em ser colorado. Apenas isso. Para mim, ser colorado e a maior coisa do mundo. Maior ainda porque eu posso falar e falando eu posso dizer isso. 

Foi uma luta convencer o velho Pinheiro Borda que ele deveria ser o presidente da Comissão de Obras. 

- Gostaria. Seria uma honra muito grande. Mas já estou velho. Essa obra é pra gente moça. Eu não sou de largar um trabalho pela metade. 

Acabou não resistindo aos apelos de seus companheiro de clube. Em julho de 1963, lá estava ele emocionado, para a pedra fundamental. Diariamente, a partir dessa data, era fácil saber onde encontrá-lo. Estava sempre no que até então chamavam o Estadio da Bóia Cativa. Mas o grande sonho de Pinheiro Borda não foi realizado: ver o estádio Beira-Rio inaugurado. Faleceu aos 70 anos de idade, quando ninguém esperava, pois era uma fortaleza em constante atividade. Sua última entrevista revela toda a grandeza do seu sentimento: 

- Eu tenho três coisas na minha vida que amo profundamente, a minha esposa o Internacional e o Gigante da Beira-Rio. Nunca cometi pecados graves. Por isso, peço a Deus que me dê a graça de ver construído o Gigante. 

José Pinheiro Borda morreu em abril de 1966. Não viu o Gigante pronto, mas levou a certeza de que ele seria inaugurado em breve, pois tudo corria da melhor maneira possível, todos trabalhavam e havia muito dinheiro. Pinheiro Borda, no dia da inauguração do estádio, foi o nome mais lembrado. Junto a seu busto, na entrada principal do Beira-Rio, homens e mulheres ajoelharam-se e rezaram durante todo o dia. Até hoje, muitos que passam, param, olham o bronze e dizem: 

- Este velho foi o coração do Gigante. 

Esta coluna é escrita por  Elfuni Zaniol, sendo de sua total responsabilidade o conteúdo da mesma. Contato: zaniol@hotnet.net

voltar